
Este não é um texto fácil de ser escrito. Tampouco prazeroso. Sou adepta da teoria de que, se não há nada de bom para falar, é melhor ficar calada. Infelizmente, na prática, nem sempre isso é possível. Pelo menos não quando falar é justamente o cerne do trabalho.
Eis o que diz a sinopse na orelha da publicação: “Line mora sozinha no Rio, ainda juntando os cacos depois que o seu noivo a abandonou no dia do casamento. Sem um emprego decente, sem um amigo sequer e sem coragem de voltar para a sua cidadezinha natal, ela vê os dias passarem enquanto aguarda algum sinal do destino sobre qual caminho seguir. No ônibus ela conhece o brasiliense Teo, que está na cidade a passeio, curtindo o verão mais escaldante dos últimos mil anos. Olhares trocados, mensagens de texto e uma vontade incontrolável de se ver mais uma vez… É assim que começam as paixões mais gostosas. Para Line, poderia ser apenas uma distração (maravilhosa) para as noites quentes de Copacabana, seja nos barzinhos junto com a galera ou na (quase) privacidade do apê onde Teo está hospedado. O problema é que um coração cansado de sofrer se preenche com a maior facilidade e Teo não pode ir embora sem saber que mudou a vida dela para sempre”.
Este livro, com certeza, mudou a minha vida para sempre. Porque me deixou muito pê da vida – um PÊ bem maiúsculo seguido de muitas exclamações – com o mercado editorial brasileiro. Até então eu tentava compreender as opções comerciais, a escolha por publicações que sejam mais rentáveis em detrimento de outras com qualidades literárias superiores. Afinal, é um negócio como qualquer outro, infelizmente; e se o capitalismo é selvagem, a arte e a literatura ele costuma estraçalhar nos dentes.
Minha compreensão, contudo, não alcança esse ponto. A história é fraca, os personagens não têm carisma algum, o final inesperado prometido na capa é o fim da picada (e olha que esperei muitas páginas pelo final). Só para dar uma ideia de como a trama não se sustenta, a noiva é largada no altar e nesse casamento não tinha nenhum familiar, nenhum amigo, nenhum conhecido, nenhum tipo de convidado que a ajude, console ou pelo menos a impeça de ficar dias trancada num quarto de hotel e depois ter que contar com a caridade da gerente, que lhe oferece um subemprego em troca de comida e um quartinho para morar? Oi? Quem estava, afinal, nesse casamento? Tudo bem que a família é do interior da Bahia e o casório seria no Rio de Janeiro, mas, mesmo assim, ninguém foi? É um detalhe que nem faz parte da pseudo-história de amor principal, mas, de novo, preciso perguntar: oi???
Ler Três dias para sempre me deixou triste. Ter de escrever este texto também. Porque tento respeitar ao máximo os autores, mesmo quando não gosto, mas não há como perdoar a irresponsabilidade das editoras. Até para inundar as livrarias de modismos é preciso haver bom-senso. E limite.





