GOLPE DUPLO | CRÍTICA

Golpe Duplo
Golpe Duplo

De tempos em tempos aparece nas telonas um filme disposto a desafiar o público, sempre com a premissa da manipulação dos olhos e desvio da atenção do espectador. Infelizmente alguns filmes lançados ultimamente têm prezado por situações implausíveis, que nem o mais bobo consegue acreditar que tais proezas dos trapaceiros sejam críveis. Golpe Duplo traz uma pegada mais “realista” do que alguns dos últimos exemplares do gênero e consegue fundir o texto na realização fílmica, carregando na ação sutil, com humor na dose certa e um romance complicado para agradar a todo mundo.

O trapaceiro com dom extraordinário na picaretagem, Nick (Will Smith), possui um verdadeiro império da malandragem que usa de truques como bater carteiras, clonar cartões de crédito e ludibriar em apostas. Quando conhece a matreira Jess (Margot Robbie), que apesar da pouca experiência, mostra talento, ele decide aperfeiçoar suas habilidades e recrutá-la para seu bando. Porém, Nick se apaixona por ela e nesse ramo não há espaço para o coração.

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Quem for mais saudosista vai esperar ver em Golpe Duplo algo que rememore a ilustração social através de um batedor de carteiras de Pickpocket (1959) de Robert Bresson, ou a canastrice apaixonante de Golpe de Mestre (1973), mas não vai encontrar. Porém, vai se surpreender com uma obra moderna, que mescla gênero sem perder sua motivação principal, que é entreter, nada mais que isso. Glenn Ficcara e John Requa dirigem e assinam o roteiro e acertam na forma como amarra todos os acontecimentos, desde o início até o desfecho inesperado e de tirar o fôlego.

Mas, eles também aproveitam a premissa do longa, “não perca o foco”, para no fim revelar um segredo que fará todo sentido. Essa fusão do roteiro com a concepção é o que faz do filme acima da média dos inúmeros filmes B que sempre saem explorando esse viés no mundo cinematográfico por aí. Sim, pois os diretores fazem com o público o que Nick faz com Jess no início do filme, mostra tudo o que temos de saber para que enxerguemos uma grande balela sem graça, entretanto distrai a atenção com o humor libidinoso de Farhad (Adrian Martinez) e o romance morno entre Nick e Jess. Acabamos por ser uma espécie de coadjuvantes, e acabamos enganados como os outros.

O que faz com que o filme não seja regular em seu andamento é a quebra de ritmo que acontece no bem no meio da exibição. O início alucinante, com sequencias formidáveis do grupo de ladrões em ação, conduzidos por uma trilha sonora animada é repentinamente substituída por um recomeço chato, quase sem nenhuma ação e que não conta nem com o romance do casal principal. Mesmo que tenha sido proposital, para que no fim o grande golpe faça sentido e tenha o resultado esperado, esse fim não justifica o meio, no qual os diretores poderiam ter inserido algo mais elaborado para aumentar a tensão, não causar enfado.

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Com um elenco entrosado, com um bom Will Smith no comando e uma belíssima Margot Robbie como Femme Fatale, Golpe Duplo, que ainda conta com o brasileiro Rodrigo Santoro no elenco, tem tudo para fazer sucesso nos cinemas. Seja pela forma como surpreende a cada reviravolta ou pelo simples fato de nos fazer sair pensativos do cinema, nos martirizando, e com um sorriso bobo, por não ter ficado atendo em coisas tão óbvias.

Classificação:
Bom

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