
Após sucesso na internet, o jovem resolveu ampliar os horizontes de atuação e realizar o sonho antigo de ser escritor. Essa primeira inserção narrativa abordou algumas passagens emblemáticas e cômicas de sua trajetória, ainda diminuta, mas cheia de contratempos, confusões e reflexões. Para tanto, os fatos perpassam vários ritos de passagem típicos da conturbada adolescência.
O nervosismo velado do primeiro beijo ganhou contornos diferenciados com a grande expectativa do autor devido a anos de filmes românticos nas telinhas. O primeiro porre com a galera terminou em catástrofe épica com direito a acidente e muito sangue à la “Carrie, a Estranha”. Não poderiam faltar, claro, a insegurança quanto a imagem, a busca desesperadora pelo fim da virgindade, a preocupação com uma possível gravidez e o início das aulas práticas para tirar a sonhada CNH.
O intuito de comover, influenciar e gerar reflexão é bem claro. Isso é facilitado pelo tom de diário, permeado por muitas fotos e desenhos ilustrativos. O livro desempenha bem o seu papel de criar laços e vínculos com o leitor, num tom volátil, que possivelmente coaduna com a juventude extremamente versátil, elétrica e agitada de hoje em dia. Num mundo com tantas dispersões, o autor quer realmente fisgar o público-alvo. E mantê-lo.
Por Christian ser oriundo de um meio verborrágico e oral, a leitura praticamente voa, as histórias vão transcorrendo velozmente. Com isso, até surge uma vontade de saber mais, de entender mais. A superficialidade promove uma aproximação e uma distorção, pois, ao fundo, parece que o livro não pinta todo o seu criador. Talvez seja estratégia para nos fazer visitar o canal de vídeos. O penúltimo capítulo faz esse tipo de gancho folhetinesco. Ao atiçar nossa curiosidade sobre um evento constrangedor, avisa que o caso está disponível apenas online.
Embora tenha se intitulado de “lokão” e “nada convencional”, o escritor é gente como a gente, totalmente fruto do mundo onde está inserido. Essas (des)aventuras não são novas ou exclusivas. Por trás da roupagem diferenciada, ele faz exatamente como qualquer um de nós fez, tem feito e fará. Seria inusitado e diferente se Christian tivesse colocado em prática o que aparentemente a cabeça dele tem de extraordinária nas pontuações e maquinações. Percebe-se que para ganhar maturidade e percepção, é necessário errar e muito. Contudo, as histórias ganhariam mais brilhantismo se houvesse agido na contramão, já que, no fundo, os erros, os medos, as descobertas e os sonhos são os mesmos (sim, pela interatividade proposta, eu preenchi o final do livro com minhas ansiedades e desejos futuros). Mudam-se os personagens, o substrato da adolescência é o mesmo.





