Classificação:

O cão Bailey (voz de Josh Gad) vira o bicho de estimação de Ethan (Bruce Gheisar)e vive uma vida feliz ao seu lado. Quando morre, volta no corpo de uma cadela policial, depois como um vira-lata que é adotado por uma mulher solitária e por fim, retorna à vida de Ethan (agora Dennis Quaid). Porém, entre essas idas e vindas se questiona qual é o propósito de sua existência, que, no final emocionante, nos é revelado.
É visível que a intenção do filme é apenas uma: emocionar. E, diferente de outras obras que tentaram levar alguma história que envolva cães, como Marley e Eu, as situações são singelas, triviais, de forma a levar o espectador a associar aquele animalzinho com o seu, aí é quase impossível se segurar. O especialista em filmes que deixam a emoção à flor da pele, Hallstrom, sabe como catalisar os melhores momentos e valoriza a expressões caninas e a interação dos donos com eles. Além disso, o diretor carrega em seu currículo outra história parecida. Sempre ao seu lado (2009), que dispensa comentários quanto sua contribuição às empresas de lenços de papel.
O roteiro escrito pelo próprio autor juntamente com Cathryn Michon e Audrey Wells às vezes se perde tentando direcionar o olhar para a emoção, deixando a razão de lado, provocando certo desequilíbrio. Nas duas vidas intermediárias de Bailey não existe um aprofundamento da trama, algo que justifique aquela existência. Deveria ter explorado mais a questão ideológica que o fazia estar sempre procurando uma resposta para uma pergunta incompleta. Talvez, uma importância maior, e com mais tempo de projeção, elevaria a qualidade final, já que com tão pouca intersecção entre as duas convivências com Ethan, quebram a expectativa, e das quatro, apenas duas vidas realmente ficam em evidência.
Mesmo com toda a polêmica em torno dos métodos que foram utilizados para as gravações, o filme está longe de ser ruim. Contudo, Quatro Vidas de um Cachorro se sustenta apenas como um exemplar de filme emocionante, sem um conteúdo que não o torne esquecível. Porém, como dito no início do texto, ao menos ele cumpre seu papel de existir, que é direcionado a arrancar lágrimas nos donos de cães. E arranca mesmo.





